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    Je ne suis qu'une chanson!

     

    Vou viajar de novo!

    Há coisas que acontecem na vida da gente que parecem avisos… avisos difíceis de ultrapassar! Há pessoas que tomam esses acontecimentos como avisos para que não prossigam, para que não vão em frente, deixem de lado projectos arrojados porque não é o momento certo.

    O medo é universal e compreensível, mas não posso deixar que ele se apodere de tudo, muito menos que se apodere de mim! Claro que depois de dar uma “pirueta” no ar (entenda-se duplo mortal) com a minha motita, parte da minha confiança ficou enfraquecida, mas não posso deixar de prosseguir!

    Tive um ano esgotante, em que trabalhei demais até ao último momento (leia-se: estou a trabalhar como uma moura pois o ano ainda não acabou!) sinto que devo prosseguir com o meu projecto de viagem, até por uma questão de sanidade mental!

    Há algum tempo que não arriscava a partir sozinha para longe ou, pelo menos, por algum tempo, e este ano planeei faze-lo duas vezes. Uma realizou-se na semana Santa ao fazer a Ruta de la Plata, a outra vai realizar-se durante todo o mês de Agosto.

    Apesar do azar, (entenda-se asneira) que tive ao destruir a minha motita, a vida compõe-se e a viagem vai realizar-se!

    Frase do dia

     

    "Existem três tipos de Estado:
    o Estado Capitalista, o Estado Comunista e

    o Estado a que isto chegou"

    Salgueiro Maia

    O dia em que eu destrui a minha motita...

     

    O dia que seria de passeio, descanso e prazer, converteu-se no dia do pesadelo!

    Há tanto tempo que nada grave acontecia que eu pensava que o pior que me podia acontecer seria deixar cair a mota para o lado… mas havia muito pior do que isso para acontecer!

    A minha motita querida, a minha amiga de todos os dias destruiu-se! Conduzi-a por maus caminhos e ela não resistiu.

    Há momentos em que o futuro da embarcação está na mão do capitão e ele não toma a decisão certa… Eu vi que aquele caminho não era coisa boa para ela, eu vi-o piorar e não voltei para trás a tempo… destrui a minha menina!

    Mas ela não me abandonou um único momento! Depois de duas piruetas monumentais, depois de me enterrar a mim e a ela na areia, voltou a andar, como se nada lhe tivesse acontecido, mal a puseram de pé e lhe deram um jeito aos plásticos! Voltou a andar como se não estivesse toda partida e se mais de metade de si não estivesse torto, partido, rachado ou arranhado!

    E continuou a ser o espectáculo de sempre ao percorrer os 300km que nos separavam de casa.

    Hoje estou infeliz mas de perfeita saúde à espera que ela se recomponha do mal que lhe fiz e já estou cheia de saudades apesar de conduzir uma “prima” Pan 1100.

    Nada se compara à minha querida motita!

     

    Este Miguel Esteves Cardoso é demais!

    «Só quando os homens chegam a uma certa idade é que podem dizer com certeza que as mulheres são melhores do que eles em tudo - mesmo na bola, a carregar pianos, a lutar com jacarés ou nas outras coisas em que ganhávamos quando éramos mais novos e brutos e fortes.

    Quando se é adolescente, desconfia-se que elas são melhores.

    Nos vintes, fica-se com a certeza.

    Nos trintas, aprende-se a disfarçar.

    Nos quarentas, ganha-se juízo e desiste-se.

    Nos cinquentas, começa-se a dar graças a Deus que seja assim.

    Os homens que discordam são os que não foram capazes de aprender com as mulheres (por exemplo, a serem homenzinhos), por medo ou vaidade ou estupidez. Geralmente as três coisas.

    Desde pequenino, habituei-me que havia sempre pelo menos uma mulher melhor do que eu. Começou logo com a minha linda e maravilhosa mãe, cuja superioridade - que condescendia, por amor, em esconder de vez em quando - tem vindo a revelar-se cada vez mais.

    As mulheres são melhores e estão fartas de sabê-lo. Mas, como os gatos, sabem que ganham em esconder a superioridade. Os desgraçados dos cães, tal como os homens, são tão inseguros e sedentos de aprovação que se deixam treinar. Resultado: fartam-se de trabalhar e de fazer figuras tristes, nas casas e nas caças e nos circos. Os gatos, sendo muito mais inteligentes, acrobatas e jeitosos, sabem muito bem que o exibicionismo vão leva à escravatura vil.

    Isto não é conversa de engate. Mas é a verdade. E é bonita. »

     

     

    Miguel Esteves Cardoso

    "O Norte" por Miguel Esteves Cardoso

    'Primeiro, as verdades.

    O Norte é mais Português que Portugal.

    As minhotas são as raparigas mais bonitas do País.

    O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela. As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes que já se viram.

    Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está tudo à vista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade verde-branca. Verde-rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se branco ao olhar. Até o granito das casas.

    No Norte a comida é melhor.

    O vinho é melhor.

    O serviço é melhor.

    Os preços são mais baixos.

    Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma ninharia.

    Estas são as verdades do Norte de Portugal. Mas há uma verdade maior. É que só o Norte existe. O Sul não existe. As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira, Lisboa, et caetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta.

    Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte.

    No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se identifica como sulista?

    No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntos falam de Portugal inteiro.

    Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país. Não haja enganos.

    Não falam do Norte para separá-lo de Portugal. Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal. Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal.

    Mas o Norte é onde Portugal começa. Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo. Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muito pequenina. No Norte. Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa. Mais ou menos peninsular, ou insular.

    É esta a verdade.

    Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é especial mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à parte. Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul - falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do Algarve - falam do Alentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente.

    No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muito estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não quer a coisa.

    O Norte cheira a dinheiro e a alecrim.

    O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho.

    Tem esse defeito e essa verdade.

    Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável, porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos  portugueses) nessas coisas.

    O Norte é feminino.

    O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso.

    As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos.

    Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade.

    Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito. Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros. Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias. Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens.

    Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas.

    São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem.

    As mulheres do Norte deveriam mandar neste país.

    Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. Em Viana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte. Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente.

    Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial.

    Só descomposturas, e mimos, e carinhos.

    O Norte é a nossa verdade.

    Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam do Norte só porque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar um nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores.

     Depois percebi.

    Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o 'O Norte'.

    Defendem o 'Norte' em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo. Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua pertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a uma terra maior, é comovente.

    No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto. Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte de Lima. Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita.

    O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os-Montes, se é litoral ou interior, português ou galego?

    Parece vago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em  fogo, para adivinhar.

    O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nós  todos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira  que têm de dizer 'Portugal' e 'Portugueses'. No Norte dizem-no a toda a hora, com a maior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos. Como se fosse só um nome. Como 'Norte'. Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros. Porque é que não é assim que nos chamamos todos?'

    Frase do dia!

     

    90 PESSOAS APANHAM A GRIPE SUINA E TODO O MUNDO QUER USAR MÁSCARA!
     
    1 MILHÃO DE PESSOAS TEM SIDA E NINGUÉM QUER USAR PRESERVATIVOS!

    Liberdade de Paul Éluard

     Nos meus cadernos de escola,
    Sobre a carteira, nas árvores,
    Sobre a neve, sobre a areia — escrevo o teu nome
    Em toda a página lida,
    Em toda a página em branco,
    Sem papel, na pedra ou na cinza — escrevo o teu nome
    Sobre as gravuras douradas,
    Sobre as armas dos guerreiros,
    Sobre a coroa dos reis — escrevo o teu nome
    Na floresta e no deserto,
    Sobre os ninhos, sobre as gestas,
    Nos ecos da minha infãncia — escrevo o teu nome
    Nas maravilhas das noites,
    No pão branco das jornadas,
    Nas estações de noivado — escrevo o teu nome
    Nos fiapos de azul-celeste,
    No tanque solar bolor,
    No lago lua vibrante — escrevo o teu nome
    Nos campos, nos horizontes,
    Nas asas dos passarinhos,
    Sobre os moinhos de sombras — escrevo o teu nome
    Em cada sopro de aurora,
    Sobre o mar, sobre os navios,
    Na insensatez das montanhas — escrevo o teu nome
    Nas nuvens soltas revoltas,
    Na tormenta transpirada,
    Na chuva insistente e boba — escrevo o teu nome
    Sobre as formas cintilantes,
    Nas campânulas de cores,
    Por sobre a verdade física — escrevo o teu nome

    Sobre as veredas despertas,
    Nos caminhos desdobrados,
    Sobre as praças transbordantes — escrevo o teu nome
    Na lâmpada que se acende,
    Na lâmpada que se apaga,
    Nas casas cheias de gente — escrevo o teu nome
    No fruto cortado em dois,
    O do espelho e o do meu quarto,
    Na concha sem mim depois — escrevo o teu nome
    No meu cão terno e guloso,
    Mas sempre de orelha
    em pé
    E patas destrambelhadas — escrevo o teu nome
    No trampolim da minha porta,
    Nos objectos familiares,
    Nas línguas do lume bento — escrevo o teu nome
    Em toda a carne acordada,
    Na fronte dos meus amigos,
    Em cada mão que me afaga — escrevo o teu nome
    Na vidraça das surpresas,
    Sobre os lábios expectantes,
    Muito acima do silêncio — escrevo o teu nome
    Nos refúgios descobertos,
    Nos maus faróis desmontados,
    Nas paredes do meu tédio — escrevo o teu nome
    Sobre a ausência do desejo,
    Sobre a solidão desnudada,
    Nos descaminhos da morte — escrevo o teu nome
    No retorno da saúde,
    No risco que se correu,
    Na esperança sem lembrança — escrevo o teu nome
    E, pelo poder de um nome,
    Começo a viver de facto:
    Nasci para te conhecer e te chamar LIBERDADE.

    2 Rodas fantásticas!

     

    A que distânia é um motociclista visivel para si?

     

    Poesia no Forum Fz!

    A propósito de no Forum FZ (Yamaha) não haver a opção com a designação da minha mota para a definir no meu perfil: 
     
     
    Amazona, isso tem fácil explicação...

    quando o forum foi criado
    ninguem podia prever
    que alguém tão jubilado
    viesse aqui se inscrever

    Pensamos em quase todas
    de lambretas a ducatis
    com duas e três rodas
    muito caras ou quase gratis

    Mas ninguém imaginou
    naquela que apaixona
    nessa mota que comprou
    a amiga Amazona
     
    Moderador Geral do Forum
     
     
     
    Uma mota fenomenal
    A da amiga Amazona.
    Em estrada não há igual,
    Tanto a mota, como a dona.

    Neste Forum das FZ's
    Que é um sítio decente,
    Pode entrar mais gente
    Com outras motas, sem porquês.
    Só quero dizer a vocês
    Que não devem levar a mal
    Haver outro pessoal
    Com outra mota ou ideia,
    Porque, no caso Pan Europeia
    É uma mota fenomenal.

    Come km's de estrada
    Sem nunca se queixar.
    Só óleo e pneus mudar
    E fica logo renovada.
    Quem tem assim uma montada
    E um bom capacete na mona
    Não dá ares de trapalhona
    (Muito pelo contrário),
    Mas que bom que é o calvário
    Da amiga Amazona.

    Sempre bem apetrechada
    Pronta p'ra qualquer viagem,
    Muitos arrumos p'rá bagagem
    E mesmo assim vai folgada.
    Isto sim! É montada
    Para percorrer Portugal,
    Bragança, setúbal, Alandroal
    E o mais que se quiser.
    Mas...venha lá quem vier....
    Em estrada não há igual.

    Olhem, eu falo por mim....
    Mas, se tivesse dinheiro
    Percorria o mundo inteiro
    Com uma montada assim.
    O mundo não teria fim,
    Numa viagem brincalhona
    Que a qualquer um apaixona
    Sem querer mais parar.
    Elas, foram feitas para viajar,
    Tanto a mota, como a dona.
     
    Moderador Global
    (Luis do Ceu)
     
     

    Perder no Tempo

    Fernando Pessoa
     
    Um dia a maioria de nós irá separar-se.
    Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas
    que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos
    que partilhamos.
    Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia,
    das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano,
    enfim… do companheirismo vivido.
    Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
    Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
    Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum
    desentendimento, segue a sua vida.
    Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe…nas cartas que trocaremos.
    Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices…
    Aí, os dias vão passar, meses…anos… até este contacto se tornar cada vez mais raro.
    Vamo-nos perder no tempo….
    Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão:
    - “Quem são aquelas pessoas?”
    Diremos…que eram nossos amigos e…… isso vai doer tanto!
    “Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!”
    A saudade vai apertar bem dentro do peito.
    Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente……
    Quando o nosso grupo estiver incompleto…
    reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo.
    E, entre lágrima abraçar-nos-emos.
    Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante.
    Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado.
    E perder-nos-emos no tempo…..
    Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades….
    Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos
    os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!”

    A felicidade exige valentia.

    "Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.

    Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.

    É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

    É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

    Pedras no caminho?

    Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

     

    Fernando Pessoa

    70º aniversário da sua morte

    Será??

    "Preferia perder meu melhor amigo ao pior inimigo.
    Para ter amigos, só é preciso boa índole;
    mas quando o homem não tem mais inimigos,
    certamente há algo desprezível nele".
     
    (Oscar Wilde)

    Elogio ao Amor

     por  Miguel Esteves Cardoso

     

    Quero fazer o elogio do amor puro.

    Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade.

    Já ninguém quer viver um amor impossível.

    Já ninguém aceita amar sem uma razão.

    Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.

    Porque dá jeito.

    Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.

    Porque se dão bem e não se chateiam muito.

    Porque faz sentido.

    Porque é mais barato, por causa da casa.

    Por causa da cama.

    Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

    Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".

    O amor passou a ser passível de ser combinado.

    Os amantes tornaram-se sócios.

    Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.

    O amor transformou-se numa variante psico-socio-bio-ecológica de camaradagem.

    A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível.

    O amor tornou-se uma questão prática.

    O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

    Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.
    Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.

    Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

    O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores.

    O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.

    Amor é amor.

    É essa a beleza.

    É esse o perigo.

    O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes.

    Tanto pode como não pode.

    Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.

    O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária.

    A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém.

    Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. É durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.

    Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder.
    Não se pode resistir.

    A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.

    À Suiça

    Tal como o caçador afadigado,
    Depois de em vão correr ingratos montes,
    Se alfim vê belo pássaro que pousa
    Sobre um tronco do bosque,
    Alegre e duvidoso a arma prepara;
    E quando cuida já que é presa sua,
    Manso o vê que se escapa, e que desliza
    Nos leves ares co'as talhantes plumas,
    Triste, desesperado à casa volta:
    Ou como terno amante, que de longe
    O bem-amado avista, passeando
    No jardim de seus pais; contente investe,
    Já em doces idéias engolfado;
    E quando perto chega,
    E cuida ir desfrutar gratos momentos,
    Ela modesta e temerosa, os olhos
    Brandamente volvendo, se retira,
    E o malfadado deixa
    Entregue à dor, carpindo-se saudoso;
    Assim eu, oh belíssima Suíça,
    Vi teus montes, teus bosques de pinheiros,
    Teus campos férteis co'o suor dos homens;
    Vi teu lago tranqüilo, onde se espelha
    De cima desse trono de alabastro,
    O sol, mal que amanhece faiscante.
    Assim jovem guerreiro de ouro armado,
    No polido pavês atento se olha,
    E contempla seu garbo, antes que saia
    A discorrer os campos, coruscante.
    Vi a tua cidade de Genebra,
    Tão linda como o lírio junto d'água,
    Tão graciosa como pura virgem,
    Que a roca empunha, e que meneia o fuso.
    Vi-te, e meu coração portas abria
    Ao prazer fugitivo,
    Que mais ligeiro corre que o teu Ródano.
    Alma alegria a mente me orvalhava,
    Tão seca de pesares;
    E a saudade da Pátria que me punge,
    Como que adormecida, menos dura,
    A farpa descansava.
    Esquecido de mim, do meu destino,
    Começava a gozar-te; — e já me foges!
    Mas se tu de meus olhos disapareces,
    Desenhada na mente a imagem tua,
    Jamais consentirei que se esvaeça.

    Oh Suíça, oh Genebra, oh país livre!
    Culta Cítia da Europa, solo honrado
    Pelos Euler, Rousseau, Haller, e Géssner,
    Recebe inda este adeus de um estrangeiro;
    E praza ao céu que o último não seja,
    Que a ti volte, e te veja uma, e mais vezes.

    por Gonçalves de Magalhães / Genebra, 11 de outubro de 1834

    13.08.08 155a

    Um dia você aprende! (tradução brasileira)

      

    Depois de algum tempo, você aprende a diferença,
    a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar a alma.

    E você aprende que amar não significa apoiar-se
    e que companhia nem sempre significa segurança.

    E começa a aprender que beijos não são contratos
    e presentes não são promessas.

    E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante,
    com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

    E aprende a construir todas as suas estradas no hoje
    porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos
    e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

    Depois de um tempo, você aprende que o sol queima
    se ficar exposto por muito tempo.

    E aprende que não importa o quanto você se importe,
    algumas pessoas simplesmente não se importam.

    E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa,
    ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.

    Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

    Descobre que leva anos para se construir confiança
    e apenas um segundo para destrui-la,
    e que você pode fazer coisas em um instante,
    das quais se arrependerá pelo resto da vida.

    Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer,
    mesmo a longas distâncias.

    E o que importa não é o que você fez na vida.

    E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.

    Aprende que não temos que mudar de amigos
    se compreendermos que os amigos mudam.

    Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa,
    ou nada, e terem bons momentos juntos.

    Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida
    são tomadas de você muito depressa,
    por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas,
    pode ser a última vez que as vejamos.

    Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós,
    mas nós somos responsáveis por nós mesmos.

    Começa a aprender que não deve comparar-se com os outros,
    mas com o melhor que você pode ser.

    Descobre que leva muito tempo para tornar-se a pessoa que quer, e que o tempo é curto.

    Aprende que não importa aonde já chegou,
    mas onde está indo,
    mas se você não sabe para onde está indo,
    qualquer lugar serve.

    Aprende que, ou você controla seus actos ou eles o controlarão,
    e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade,
    pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação,
    sempre existem dois lados.

    Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer,
    enfrentando as consequências.

    Aprende que paciência requer muita prática.

    Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai
    é uma das poucas que o ajuda a levantar-se.

    Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve
    e o que você aprendeu com elas, do que quantos aniversários você celebrou.

    Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.

    Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens,
    poucas coisas são tão humilhantes e sería uma tragédia se ela acreditasse nisso.

    Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva,
    mas isso não te dá o direito de ser cruel.

    Descobre que, se porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame,
    não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode,
    pois existem pessoas que nos amam,
    mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

    Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém,
    algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.

    Aprende que com a mesma severidade com que julga,
    você será em algum momento condenado.

    Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido,
    o mundo não pára para que você o conserte.

    Aprende que o tempo não é algo que possa voltar atrás.

    Portanto, plante seu jardim e decore sua alma,
    ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.

    E você aprende que realmente pode suportar...
    que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe
    depois de pensar que não se pode mais.

    E que realmente a vida tem valor
    e que você tem valor diante da vida.

    Nossas dádivas são traidoras
    e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar,
    se não fosse o medo de tentar.”

     

    William Shaskespeare

    mas dizem que é de

    After a While
    By Veronica Shoffstall

    After a while you learn the subtle difference between
    holding a hand and chaining a soul,

    And you learn that love doesn't mean leaning and
    company doesn't mean security,

    And you begin to learn that kisses aren't contracts
    and presents aren't promises,

    And you begin to accept your defeats with your head
    up and your eyes open, with the grace of an adult,
    not the grief of a child,

    And you learn to build all your roads on today
    because tomorrow's ground is too uncertain for plans.

    After a while you learn that even sunshine burns if
    you get too much.

    So plant your own garden and decorate your own
    soul, instead of waiting for someone to bring your
    flowers.

    And you learn that you really can endure...

    That you really are strong,

    And you really do have worth.


    Quando os génios escrevem...

     

    Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
    Mas, enquanto houver amizade,
    Faremos as pazes de novo.

    Pode ser que um dia o tempo passe...
    Mas, se a amizade permanecer,
    Um de outro se há-de lembrar.

    Pode ser que um dia nos afastemos...
    Mas, se formos amigos de verdade,
    A amizade nos reaproximará.

    Pode ser que um dia não mais existamos...
    Mas, se ainda sobrar amizade,
    Nasceremos de novo, um para o outro.

    Pode ser que um dia tudo acabe...
    Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
    Cada vez de forma diferente.
    Sendo único e inesquecível cada momento
    Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.

    Há duas formas para viver a sua vida:
    Uma é acreditar que não existe milagre.
    A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.

     

     
     

    De Mario Quintana para vocês...

     
     
    Tão bom viver dia-a-dia...
    A vida, assim, jamais cansa!
     
     
     

    As Amazonas

              As Amazonas

    Não é um grupo que se formou, são antes duas pessoas que se juntaram num duo de gente que gosta de conduzir moto, de passar sem limites, apreciar o que as paisagens podem proporcionar, seguir sem regras estabelecidas ou trajectos demasiado rígidos, quase sem destino, o que a estrada tem para mostrar.

    Juntaram-se para participar no 9º Portugal de Lés-a-lés, Antónia Bessa em Shadow 750cc e Gracinda em Pan European, e baptizaram a equipa como Amazonas, duas mulheres que marcam a diferença sem serem diferentes de ninguém. Marcam a diferença porque se juntam para passear de moto, fazendo quilómetros sem fim e visitando tudo o que vão encontrando no acaso dos seus percursos. A finalidade é descobrir este país que é nosso e que tem tanto para mostrar.

    O Lés-a-lés foi o inicio desta aventura, em que percorreram o país de norte a sul, enchendo os olhos com este Portugal profundo. Depois foi a descoberta de Portugal a retalho, como têm vindo a chamar ao acumular de passeios, uns maiores, outros mais próximos de casa, dependendo do tempo disponível.

    Esta aventura a retalho fez já este par de mulheres acumular nos conta-quilómetros das suas motos, cerca de 15.000 km desde Junho deste ano, apenas em passeios!

    Cada saída conta sempre com estrada de montanha, curvas são uma paixão; quelhos e becos e troços de “piso aventura”, isto é, fora de estrada, estradões de terra ou, simplesmente, piso ruim ou em obras. Não há nada que estas motos não façam, desde que assim apeteça. Alem de se explorarem trajectos e caminhos mais distantes, exploram-se também cidades e lugares próximos, percorrem-se zonas históricas, visitando-se monumentos, exposições e restaurantes típicos. Nem sempre o tempo disponível permite ir muito longe, mas permite sempre sair e descobrir algo de novo.

    Recentemente a Honda Shadaw foi substituída pela Honda Deuville, o que veio tornar o duo mais harmonioso, além de trazer mais conforto e empatia na condução, sendo agora as motos mais semelhantes entre si.

    Cada tarde de sexta-feira traz a possibilidade de um novo passeio, mas nada se compara com os projectos de passeios de “longo curso” que se preparam para a Páscoa, ao centro/sul do país e para o Verão ao centro da Europa: França, Suiça e Itália.

    O mundo está aí, a começar no exterior da nossa porta, pronto para ser descoberto… retalho a retalho!

    29.06.07 042